O início de 2026 apresenta um cenário de maior equilíbrio nos custos logísticos globais, mas ainda marcado por incertezas. O frete marítimo, que nos últimos anos foi um dos principais fatores de pressão na importação, começou o ano em patamar mais baixo, enquanto o dólar segue como um componente estrutural da formação de custos.
Descubra agora com o Grupo Vila Porto, o comportamento observado em janeiro e as tendências que devem influenciar os próximos meses. Boa leitura!
Panorama inicial do frete marítimo em 2026
O frete marítimo de contêineres iniciou 2026 em níveis significativamente inferiores aos registrados nos anos anteriores. Na principal rota de importação brasileira, entre Ásia e Brasil, o valor praticado em janeiro no mercado de curto prazo ficou em torno de US$ 1.050 por contêiner de 40 pés, segundo dados da consultoria Solve Shipping.
Para efeito de comparação, no mesmo período de 2025 o valor era de US$ 4.900, enquanto em janeiro de 2020, antes da pandemia, o frete registrado era de aproximadamente US$
2.050. Esse movimento indica uma aproximação dos preços atuais ao padrão observado no período pré-pandêmico, especialmente em um momento de baixa sazonalidade.
Diferenças entre rotas e comportamento do mercado
Além da rota Ásia–Brasil, há registros de valores historicamente baixos em rotas específicas. No caso da exportação para a China, o frete em janeiro ficou em torno de US$ 300 por contêiner de 40 pés, contra US$ 500 em 2025 e US$ 1.550 em 2020, também de acordo com a Solve Shipping.
Apesar desses números mais baixos, o mercado não opera em cenário de conforto. A redução de preços não elimina dificuldades operacionais nem garante estabilidade ao longo do trimestre.
Infraestrutura portuária brasileira e reflexos operacionais
Mesmo com o início do ano marcado por tarifas menores, o nível de serviço no Brasil continua pressionado. Gargalos na infraestrutura portuária resultam em atrasos, viagens omitidas e congestionamento nos terminais, afetando prazos e previsibilidade das operações.
Há previsão de expansão de capacidade em terminais de contêineres nos portos de Santos, Santa Catarina e Recife ao longo de 2026. No entanto, a avaliação do setor é de que essas ampliações não devem acompanhar totalmente o crescimento da demanda prevista, mantendo o frete marítimo sujeito a oscilações ao longo do ano.
Geopolítica, Canal de Suez e capacidade global
No cenário internacional, a situação no Mar Vermelho e no Canal de Suez segue como uma das principais variáveis de risco. Desde o fim de 2023, o bloqueio parcial da rota levou ao desvio de embarcações por caminhos mais longos, reduzindo cerca de 12% da capacidade global do comércio marítimo.
Nas últimas semanas, empresas de navegação passaram a testar um retorno gradual à rota original, mas ainda há incerteza sobre uma retomada efetiva ao longo de 2026. Mesmo em caso de reabertura, fatores como o sucateamento lento de navios antigos e o congestionamento em portos de diferentes regiões do mundo tendem a limitar uma queda mais acentuada dos fretes.
Estados Unidos, China e efeitos indiretos na América do Sul
No período que antecede o Ano Novo Lunar, entre 15 e 22 de fevereiro, as tarifas spot nas rotas entre Ásia e Estados Unidos registraram alta próxima de 60% em apenas um mês. Esse movimento está associado à antecipação de embarques e ao ajuste temporário de capacidade disponível.
Quando as rotas transpacíficas se tornam mais rentáveis, parte da frota tende a ser direcionada para esses corredores. Esse redirecionamento pode reduzir a oferta efetiva de espaço em rotas como Ásia–América do Sul, exigindo maior planejamento por parte dos importadores brasileiros, especialmente no período pré-Ano Novo Chinês.
Demanda, frota e expectativas para 2026
Do lado da demanda, a perspectiva é positiva. Projeções do setor indicam crescimento anual entre 5% e 10% das importações vindas da Ásia ao longo de 2026, impulsionado por setores como automotivo e eletrônico.
Ao mesmo tempo, a frota global de contêineres segue em expansão, com entrada de novas embarcações, principalmente construídas na China. Esse aumento de oferta amplia o risco de super capacidade no médio prazo, pressionando tarifas, mas sem expectativa de retorno aos picos observados durante a pandemia, quando os valores superaram US$ 10.000 por contêiner em algumas rotas.
O que esse cenário indica para o primeiro trimestre?
Embora ainda não existam dados consolidados do primeiro trimestre de 2026, o panorama observado em janeiro aponta para um início de ano mais equilibrado, porém ainda instável. Preços mais baixos convivem com riscos operacionais, geopolíticos e estruturais que impedem uma leitura de plena normalização.
Para empresas que dependem da importação, o frete marítimo deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo, considerando câmbio, infraestrutura e capacidade global, e não apenas o valor pontual da tarifa.
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Fontes:
Associação Comercial de Santos (Valor Econômico)